“Acampamento Miasma” traz acenos óbvios a filmes como “Acampamento Sinistro” e “Videodrome” até (por óbvio) a série “Sexta-Feira 13”, evidenciando a paixão de Schoenbrun pelo gênero. A diretora, contudo, parece a todo momento se desculpar por sua tentativa em abraçar o slasher, blindando-se ao verbalizar, por meio de sua cineasta fictícia, todas as “regras” que ressignificam o terror em remakes tardios, como os recentes “Halloween” com Jamie Lee Curtis, sentindo-se livre para subverter estes mesmos clichês.
É uma estratégia esperta que, na prática, é inócua. “Acampamento Miasma” fracassa como filme de terror (o que talvez fosse a intenção), não cola como comédia (o senso de humor é a vírgula para a tensão crescente) e é ralo em suas alegorias sexuais. Embora o texto busque alguma profundidade, especialmente ao discorrer sobre as origens de seu assassino irrefreável, ele se limita a colocar roupagem moderna no óbvio: a esmagadora fatia dos slashers sempre foram metáfora para sexo.
É admirável que Schoenbrun, cineasta transgênero e entusiasta do cinema como lugar seguro para jovens em seu despertar sexual, exponha suas experiências sob o filtro da fantasia – como fez de forma mais sólida em seu trabalho anterior, o interessante “Eu Vi o Brilho da TV”. Em “Acampamento Miasma”, contudo, ela é atropelada por seu próprio tsunami de ideias, referências e personagens que terminam prejudicando o fluxo da narrativa.

Como resultado, o filme deixa de dialogar com ele mesmo, resultando em uma colagem de sketches que trocam coesão por devaneios acerca de sexualidade e identidade. Schoenbrun filma com inventividade e vigor, mas nem a estética mais hipnotizante resiste a um texto que patina no óbvio. Chamar o assassino de Pequena Morte – ou Le Petite Mort, termo francês que amplamente se refere ao orgasmo -, é a materialização da falta de sutileza.



