Brad Pitt sobre ‘Coração Selvagem’: ‘Foi o filme que exigiu mais de mim’


Obrigado por me receberem e parabéns pelo filme. Ele meio que me deixou arrasado, mas tudo bem.

David Ayer De um jeito bom, espero!

De um jeito bom! Da melhor maneira possível. Tem uma frase no filme que não vou repetir aqui porque não quero ficar com a voz embargada. Mas vamos lá. Se todo filme pode, de certa forma, ser uma lição de vida, o que vocês aprenderam fazendo “Coração Selvagem” com o Odin?

Brad Pitt: Acho que a importância do companheirismo e de como nem sempre somos gentis com nós mesmos mas, caramba, nós lutamos pelo outro, sabe, por alguém que amamos e que nos deu amor incondicional. E que só nos mostrou carinho e companheirismo,. Por coisas assim nós lutamos até o fim.

David Ayer: O amor é força. A gente não pensa nisso dessa forma. Mas quando você tem amor na sua vida, quando alguém depende de você, quando precisam de você, isso te dá força para fazer qualquer coisa, para suportar qualquer coisa, e se torna uma forma de esperança. O que eu adoro neste filme é que, não importa o quão ruim a situação fique, não importa o quão difícil seja, James nunca perde a esperança. Era o que eu precisava ver naquela relação.

Vocês filmaram principalmente em locações na Nova Zelândia, com um coadjuvante canino. Então, quão fiel o filme é ao roteiro original e que tipo de mudanças, se é que houve alguma, vocês tiveram de fazer para lidar com um ator tão imprevisível?

David Ayer: Eu li o roteiro e fiquei profundamente comovido. Chorei muito. Parei de ler. Terminei. Continuei chorando. Então, como roteirista, senti até uma pontinha de inveja. Só pensava que era um trabalho incrível e que não sabia se conseguiria sequer filmar! É aquela sensação de não querer que ninguém estrague esse material. Por isso, tratamos o roteiro com delicadeza. Praticamente nada mudou, exceto alguns ajustes de formatação para a produção. É uma verdadeira prova da qualidade do trabalho de Cameron Alexander.

Brad Pitt: Concordo. Nós filmamos a história como ela era. Eu também tive a mesma reação ao ler e senti que valia a pena tentar levá-la para o cinema. Fico muito feliz em saber que você teve essa experiência.

Brad, você fez “F1”, que foi fisicamente exaustivo. Fez “Troia”, sua carreira tem filmes com exigências físicas bem intensas. Como “Coração Selvagem” se compara a eles?

Brad Pitt: Tudo foi brincadeira de criança perto de “Coração Selvagem” (risos). Este é, sem dúvida, o projeto que mais exigiu fisicamente de mim. Meus amigos que acompanharam as filmagens podem confirmar. Mas, ao mesmo tempo, grandes desafios trazem grandes recompensas. E tenho que dizer, quando terminamos foi muito gratificante. Mas é isso, foi o que escolhemos fazer, cara. Não tem espaço para chorões.

David Ayer: E Brad não teve folga! Se ele trabalhasse até tarde, não importava, tinha que chegar cedo no dia seguinte. E não havia tempo para descansar. Cada dia era uma luta.

Vocês dois são produtores do filme, e a Plan B (produtora de Brad Pitt) tem um catálogo incrível, que demonstra uma verdadeira paixão pelo cinema, incluindo um documentário brasileiro, “Apocalipse nos Trópicos”.

Brad Pitt: É, um documentário incrível.

O que vocês buscam em uma história que faz vocês pensarem: “Quero ver esse filme”? E o que fez “Coração Selvagem” despertar o interesse de vocês?

Brad Pitt: Bom, eu tenho dois sócios. Sempre tivemos uma mentalidade meio de “banda de garagem”. O nosso combinado é, se um de nós defendesse um projeto e os outros dois discordassem, não importava. Nós íamos investir nele mesmo assim. Este filme é uma história de sobrevivência. E eu adoro histórias de sobrevivência, seja no cinema, como em “Mais Forte Que a Vingança”, ou em algumas das séries que temos hoje. Mas, por trás disso, havia uma história de amor incrível. Quando terminei de ler, me fez pensar no meu pai, no meu irmão, em… enfim, em todas as pessoas que já amei. Eu não tive escolha.

Certo, pessoal, obrigado pelo papo. E, Brad, espero que você possa vir ao Brasil de novo para andar de moto, como você me disse que faria, tipo, quase 10 anos atrás.

Brad Pitt: (empolgado) Eu adoraria, cara. Isso está na minha lista. Ei, agora que terminamos, qual era aquela frase?

Ah, cara. Era “Você é a maior alegria da minha vida”.

Brad Pitt: Eu sei. P*ta merda.

Meu cachorro está bem aqui. Foi brutal.

Brad Pitt:Beleza, obrigado. Obrigado por compartilhar.



Fonte: Uol

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