Como Christopher Nolan combinou tradição e tecnologia em ‘A Odisseia’


Para o elenco, trabalhar com as câmeras Imax se mostrou um novo desafio. “Geralmente, quando rodamos um diálogo, com plano e contraplano, um ator fica ao lado da câmera para que seu colega em quadro possa ter contato visual e saber para onde direcionar a visão”, detalha Matt Damon. “As câmeras Imax dentro das caixas, porém, eram enormes, sendo fisicamente impossível manter esse contato visual.” A resposta encontrada por Nolan foi simples e elegante: um sistema de espelhos que permitiu aos atores conversarem com os colegas fora de quadro, que por sua vez tinham sua imagem refletida para um espelho acoplado à própria caixa. Mágica.

A MATERIALIZAÇÃO DO ÉPICO

Na literatura clássica, um épico batiza a narrativa de feitos grandiosos de um heroi, entrecortados por batalhas em larga escala, mitos e, por fim, a fundação de povos. Antes de o termo ser banalizado para batizar qualquer conquista estraordinária, “A Odisseia” era a materialização de sua própria definição. Curiosamente, o cinema poucas vezes se voltou para o poema de Homero, mesmo que ele seja a base de boa parte da literatura fantástica contemporânea – e das aventuras de ficção.

Embora algumas tentativas para levar a história à tela grande tenham ocorrido no começo do século 20, foi em 1954 que a história chegou a Hollywood, quando Kirk Douglas interpretou Ulysses, variação em latim do Odisseu da mitologia greco-romana, no filme do mesmo nome. Era a época dos grandes épicos hollywoodianos, como “Os Dez Mandamentos” e “Ben-Ur”, que se equilibrava no triângulo literatura, história e religião para levar grandes espetáculos do papel à tela grande.

Desde então, o cinema arriscou parcas adaptações de “A Odisseia”, que terminou aparecendo com mais frequencia em minisséries para a TV. Duas versões no cinema primam pelo inusitado:: o western spaguetti “Ringo Não Discute… Mata”, lançado em 1965 com o ídolo Giuliano Gemma, e o musical “E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?”, em que os irmãos Coen colocam a trama, George Clooney à frente, nos Estados Unidos dos anos 1930. Já o recente “O Retorno”, de 2024, fez um recorte modesto da jornada de Odisseu, aqui interpretado por Ralph Fiennes.

Para roteirizar sua versão, Christopher Nolan apontou como norte a tradução feita em 2017 por Emily Wilson, que trocou o romantismo vitoriano que mostrava Odisseu como herói infalível por uma versão humanizada, em que ele exibe a mente de estrategista militar mas também encara suas próprias falhas, em especial na condução do cerco de uma década a Troia.



Fonte: Uol

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