Eu acredito que talvez o ponto alto desse documentário é que ele é um registro muito íntimo dentro do campo, talvez mais íntimo da Fernanda, que seja o próprio trabalho, a profissão. É um mergulho no processo criativo dela, no dia a dia do trabalho dela, nos três últimos trabalhos que ela fez no cinema, os dois no cinema e um no teatro, da leitura dramática de Simone de Beauvoir.
Pedro Waddington
Waddington, que é filho de Andrucha e enteado de Fernanda Torres, conta que a equipe buscou fazer um “cinema direto”, acompanhando a atriz com poucas intervenções. Para ele, o desafio foi registrar a rotina sem “fazer muitas perguntas” e, ainda assim, sugerir a dimensão de uma trajetória longa.
Uma das dificuldades do documentário era justamente fazer um registro de cinema direto, de acompanhar ela sem fazer muitas perguntas, sem ter entrevistas e ainda assim dar conta de uma sensação de uma vida de 86 anos de vida como atriz.
Pedro Waddington
Ele também revela troca de mensagens com a atriz na véspera do lançamento. Waddington disse que falou sobre a ansiedade da estreia e que recebeu uma resposta de acolhimento, com uma lição sobre encarar o processo como parte do ofício.
Ontem eu mandei uma mensagem pra ela. Falando da ansiedade da estreia, ela me confortou dizendo: ‘Meu filho, isso faz parte do nosso trabalho, vai ter que passar por mais muitas dessas’… A estreia, sim, me dá um frio na barriga, mas é só mais uma etapa do nosso processo
Pedro Waddington



