Viagens, confraternizações, jogos da Copa, churrascos, petiscos e bebidas alcoólicas. Em períodos de comemorações e férias, é comum sair da rotina e exagerar na alimentação. Depois, vêm o inchaço, a sensação de peso e a promessa de compensar tudo com uma dieta rigorosa. A professora de Nutrição do Centro Universitário de Brasília (CEUB) Pollyana Ayub alerta que dietas, jejuns prolongados e restrições severas não são a melhor saída. Segundo ela, alguns dias de exagero dificilmente serão responsáveis por mudanças significativas no peso ou por comprometer um processo de emagrecimento.
“Uma refeição, um fim de semana ou alguns dias fora da rotina não determinam o sucesso ou o fracasso de uma alimentação saudável. O que faz diferença é o conjunto dos hábitos mantidos ao longo do tempo”. O problema surge quando os excessos passam a fazer parte da rotina: “O organismo consegue lidar bem com situações ocasionais. A preocupação é quando o padrão desequilibrado se prolonga por semanas ou meses, gerando ganho de peso e de outros impactos à saúde”, revela Ayub.
O peso na balança pode enganar
Após períodos de excessos, muitas pessoas percebem aumento do peso e acreditam ter ganhado gordura rapidamente. Na prática, nem sempre é isso que acontece. Segundo a nutricionista, o consumo elevado de alimentos ricos em sódio, açúcar e bebidas alcoólicas favorece a retenção de líquidos, provocando inchaço e alterações temporárias no peso. “Muitas vezes, esse aumento está mais relacionado à retenção hídrica do que ao ganho efetivo de gordura. Por isso, não é recomendado tomar decisões precipitadas ou adotar medidas radicais”, afirma Pollyana Ayub.
Nada de compensações radicais
Sucos detox, dietas líquidas, jejuns prolongados e planos alimentares muito restritivos costumam ganhar popularidade após períodos de excessos. Mas a especialista alerta que essas estratégias não possuem respaldo científico para promover uma suposta “limpeza” do organismo. “Nosso corpo já conta com mecanismos naturais de desintoxicação realizados principalmente pelo fígado, rins, intestino e pulmões. Não existe alimento ou dieta capaz de acelerar esse processo de forma milagrosa”, destaca.
Nada de passar fome para compensar
Outra atitude comum é tentar compensar os exageros ficando horas sem comer ou cortando drasticamente as calorias. Para Pollyana, essa estratégia costuma gerar mais problemas do que soluções. “Jejuns prolongados e dietas muito restritivas podem aumentar a fome, favorecer episódios de compulsão alimentar e dificultar a manutenção dos resultados a longo prazo”, afirma. A recomendação é voltar gradualmente à rotina, priorizando alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente processados.
O que fazer após os excessos
Entre as orientações da especialista do CEUB estão:
- Aumentar o consumo de água ao longo do dia;
- Priorizar frutas, verduras, legumes e cereais integrais;
- Consumir fontes de proteína em todas as refeições;
- Reduzir o consumo de bebidas alcoólicas;
- Evitar ultraprocessados, como refrigerantes, salgadinhos e embutidos;
- Retomar a prática regular de atividade física;
- Manter horários regulares para as refeições;
- Dormir bem.
Segundo Ayub, uma estratégia simples é montar refeições equilibradas, preenchendo metade do prato com verduras e legumes, um quarto com proteínas e o restante com carboidratos de boa qualidade, como arroz, feijão, batata, mandioca ou grãos.
Sono e exercício também contam
Além da alimentação, outros fatores desempenham papel importante na recuperação do organismo. “O sono inadequado interfere nos hormônios relacionados à fome e à saciedade, aumentando o desejo por alimentos mais calóricos. Já a atividade física ajuda a regular o metabolismo, melhora a disposição e contribui para o controle do peso corporal”, explica Ayub. A recomendação é retomar gradualmente uma rotina compatível com a condição física de cada pessoa.
Quando procurar ajuda
Se a sensação de perda de controle sobre a alimentação for frequente ou se houver dificuldade para retomar hábitos saudáveis, a recomendação é buscar orientação profissional. “Cada pessoa tem necessidades, objetivos e condições de saúde diferentes. Por isso, o acompanhamento nutricional pode ajudar a construir estratégias mais adequadas e sustentáveis”, orienta. A especialista do CEUB reforça que um feriado, uma viagem ou uma sequência de comemorações não definem a saúde de ninguém. “O mais importante é lembrar que saúde é construída pelas escolhas feitas na maior parte do tempo, e não por um ou outro momento de exceção”, conclui.
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