Festival de Veneza: ‘Woman Unknown’ vence o Leão de Ouro


Isso porque “Woman Unknown” trata, entre outras questões, do quanto a mulher sempre é mais vigiada, julgada e cobrada por suas ações, seja em tempos de paz ou em tempos de guerra.

No caso do longa dinamarquês, Marie (Mathilde Arcel) está prestes a se casar com um viúvo rico para quem trabalha como empregada doméstica e babá. Para ela, o casamento significa se tornar a senhora da casa e reescrever não só seu futuro, mas também seu passado. Mas há um segredo que pode colocar tudo a perder: durante a guerra, ela teve um relacionamento com um soldado alemão. Agora, na anarquia do pós-guerra, esse passado volta para cobrar o seu preço. E Marie está disposta a tudo para defender a vida que conquistou.

A coerência do júri diz respeito à provocação que Maggie fez à curadoria do festival na coletiva de imprensa do júri, antes mesmo de o evento começar, ao comentar por que havia apenas dois filmes de mulheres diretoras na competição (“Woman Unknown” e “NAZA”, de Rachel Szor e Yuval Abraham). A presidente ironizou dizendo que talvez as mulheres não saibam mesmo dirigir.

Ver o consistente, sóbrio, mas complexo “Woman Unknown” levar o principal prêmio do festival de cinema mais antigo do mundo é acalentador.

Em seu discurso, May também agradeceu à presidente do júri por se posicionar sobre a diferença de oportunidades entre diretoras e diretores.

“Obrigada ao júri por esta grande honra. E a você, Maggie, especialmente, por usar sua voz e chamar a atenção para a falta de igualdade de oportunidades para cineastas mulheres na nossa indústria. Estar ali pode ser um lugar muito solitário de onde falar, e muitas de nós a saudamos por fazer isso”, declarou May.



Fonte: Uol

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