SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O chanceler do Irã, Seyed Abbas Araghchi, criticou a ideia do presidente dos EUA, Donald Trump, de usar ativos iranianos sob controle americano para indenizar prejuízos ligados ao transporte marítimo.
Araghchi disse que confiscar ativos do Irã para cobrir “reivindicações futuras não relacionadas” cria um “precedente incendiário”. Ele afirmou nas redes sociais que a medida pode gerar “caos” ao normalizar a apreensão de recursos de outro país.
O ministro também alertou que a lógica do confisco pode se espalhar para outros governos. “Aqueles que celebram ou lucram com esses fundos devem se lembrar: uma vez que os governos normalizam a confiscação, os ativos de ninguém estão seguros”, escreveu Araghchi, no X antigo Twitter.
Trump afirmou que danos a navios, cargas ou bens ligados à navegação serão pagos com recursos iranianos que estão sob controle dos EUA. “Que esta declaração sirva para informar que, até novo aviso, a partir deste momento, todo e qualquer dano causado a navios, cargas ou qualquer coisa relacionada a eles será pago com recursos iranianos que estão em posse dos Estados Unidos e sob seu controle”, escreveu o presidente norte-americano no Truth Social.
O presidente dos EUA disse ainda que os prejuízos podem ser “muito substanciais” e classificou a medida como “justa e equitativa”. A publicação, porém, não detalhou quais ativos seriam usados nem qual seria o mecanismo jurídico para fazer os pagamentos.
A reação iraniana veio após ameaças de Washington de atacar infraestrutura do Irã se embarcações forem alvo no Estreito de Hormuz. Na quarta-feira (22), Trump disse que os EUA destruiriam “uma ponte ou usina elétrica” no Irã caso a República Islâmica disparasse contra um navio na região.
Horas depois da postagem de Trump sobre indenizações, o Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo levada pelo primeiro-ministro do Iraque, Mohammed Shia al-Sudani, segundo o The New York Times. O jornal afirmou ter ouvido autoridades iranianas e iraquianas.
Autoridades disseram ao NYT que Teerã não quer um acordo temporário que não trate do controle do Estreito de Hormuz. A passagem é considerada estratégica para o transporte de petróleo.
Em entrevista à TV estatal iraniana, Araghchi afirmou que o enviado iraquiano compartilhou com Teerã “visões e impressões” após ir a Washington. Ele disse, porém, que o problema entre os dois países não é falta de intermediários e que já há mediadores suficientes para transmitir mensagens.
Após a ameaça de Trump, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que cortaria o fornecimento de energia de aliados dos EUA no Oriente Médio se os americanos bombardearem usinas iranianas. O comando militar também ameaçou interromper o fluxo de petróleo no Golfo Pérsico e atacar infraestruturas energéticas e econômicas de países da região.
Na quarta-feira (22), os Houthis, grupo extremista do Iêmen apoiado pelo Irã, disseram ter atacado dois petroleiros da Arábia Saudita no Mar Vermelho. Os rebeldes alegaram que as embarcações violaram um bloqueio naval imposto por eles.
O governo saudita confirmou um ataque a um petroleiro, mas a autoria não foi oficialmente atribuída. A agência britânica United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), que monitora a segurança da navegação na região, não apontou quem realizou a ação.
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