Guarda Revolucionária do Irã reivindicou, nesta terça-feira (20), ataques contra dois petroleiros que teriam sido atingidos por minas marítimas no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
Segundo um comunicado divulgado pelo portal iraniano Sepah News, os navios pegaram fogo e ficaram impossibilitados de navegar depois de atingir minas instaladas pela Marinha da Guarda Revolucionária em uma passagem considerada ilegal pelas autoridades iranianas.
“As embarcações infratoras pegaram fogo e ficaram imobilizadas após colidirem com minas marítimas colocadas pela Marinha da Guarda Revolucionária ao longo de uma rota considerada ilegal, ao sul do estreito”, afirmou a organização.
A Guarda Revolucionária também alegou ter derrubado um drone militar norte-americano MQ-9 Reaper.
Os nomes dos petroleiros e a origem das cargas transportadas não foram divulgados.
Até o momento, os Estados Unidos não se pronunciaram sobre as ações reivindicadas por Teerã. Também não há confirmação independente dos ataques contra os navios ou da suposta derrubada do drone.
Irã e Estados Unidos disputam controle do Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz se tornou um dos principais pontos de tensão no conflito entre o Irã e os Estados Unidos, iniciado no fim de fevereiro, após ataques norte-americanos e israelenses contra o território iraniano.
Antes da guerra, aproximadamente um quinto do petróleo e de outros hidrocarbonetos comercializados mundialmente passava pela região.
Desde o início das hostilidades, o Irã passou a exigir controle sobre o tráfego marítimo no estreito, enquanto Washington respondeu impondo um bloqueio aos portos iranianos.
As negociações entre os dois países permanecem em um impasse, sem avanços significativos para reduzir as tensões.
Petroleiros tentam atravessar estreito sob escolta americana
Apesar das restrições impostas pelas autoridades iranianas, um número crescente de petroleiros tem tentado atravessar o Estreito de Ormuz para deixar o Golfo Pérsico, em alguns casos com escolta militar dos Estados Unidos.
Os ataques contra embarcações na região, entretanto, aumentaram nos últimos dias.
Segundo analistas ouvidos pela agência France-Presse (AFP), as ações iranianas buscam demonstrar que Teerã ainda possui capacidade militar para interromper a navegação em uma das rotas comerciais mais importantes do planeta.
O Estreito de Ormuz é delimitado pelo Irã, ao norte, e por Omã, ao sul, e tem aproximadamente 30 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito.
Desde que as forças iranianas impuseram restrições à passagem de embarcações, alguns navios passaram a utilizar rotas próximas à costa de Omã para atravessar a região sem autorização de Teerã.
O governo iraniano considera essas travessias ilegais.
Em seu comunicado desta terça-feira, a Guarda Revolucionária voltou a ameaçar empresas petrolíferas com represálias caso as operações militares dos Estados Unidos continuem.
As autoridades iranianas afirmaram que novas ações poderão ocorrer “caso as provocações norte-americanas se mantenham”.
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