Laura Cardoso, gigante da dramaturgia brasileira, morre aos 98 anos


Laura Cardoso morreu aos 98 anos, em São Paulo. A informação foi divulgada pela família na madrugada desta terça-feira (18), nas redes sociais da atriz. Segundo Fernando Faria, bisneto da artista e responsável por administrar o perfil dela no Instagram, Laura morreu às 23h24 de segunda-feira (17), em casa, de causas naturais.

“Nossa grande estrela se despediu de nós. Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações. Obrigada por tudo, nossa amada e eterna Laura Cardoso”, diz a mensagem publicada no perfil oficial da atriz.

Até o momento, não foram divulgadas informações sobre velório e sepultamento.

Laura Cardoso deixa as filhas Fernanda e Fátima, além de netos e bisnetos. Nos últimos anos, mesmo afastada das novelas, mantinha contato com o público pelas redes sociais, onde eram compartilhados momentos em família, leituras e lembranças de uma carreira que atravessou diferentes fases da televisão brasileira.

A morte encerra uma trajetória de mais de sete décadas dedicada à atuação. Com mais de 100 trabalhos no currículo e dezenas de novelas, Laura se consolidou como um dos nomes mais importantes da dramaturgia nacional.

Dos tempos do rádio à televisão

Nascida Laurinda de Jesus Cardoso, em 13 de setembro de 1927, no bairro do Bixiga, em São Paulo, Laura era filha de imigrantes portugueses. Ainda adolescente, decidiu seguir a carreira artística e começou a atuar em radionovelas na Rádio Cosmos.

Foi no meio artístico que conheceu Fernando Balleroni, ator, diretor, roteirista e produtor com quem se casou em 1949. Os dois permaneceram juntos até a morte dele, em 1980.

A chegada à televisão aconteceu nos primeiros anos do veículo no Brasil. Em 1952, Laura participou de Tribunal do Coração, na TV Tupi, emissora na qual construiu parte importante do início da carreira. Também passou por Record, Excelsior, Cultura e Bandeirantes antes de consolidar sua trajetória na Globo.

Na emissora carioca, estreou em 1981, na novela Brilhante, de Gilberto Braga. A partir daí, tornou-se presença frequente em produções que atravessaram gerações.

Papéis que marcaram gerações

Entre os trabalhos mais lembrados está Isaura, mãe das gêmeas Ruth e Raquel, interpretadas por Gloria Pires em Mulheres de Areia, de 1993. No ano seguinte, Laura viveu Guiomar no remake de A Viagem.

A atriz também integrou elencos de novelas como Rainha da Sucata, Felicidade, Irmãos Coragem, Explode Coração, Esperança, Chocolate com Pimenta, O Profeta, Duas Caras, Caminho das Índias, Araguaia, Gabriela, Flor do Caribe, Império, Sol Nascente e O Outro Lado do Paraíso.

Seu último trabalho em novelas foi em A Dona do Pedaço, em 2019, quando interpretou Matilde Azevedo.

A carreira de Laura, no entanto, foi muito além da televisão. Ela trabalhou no teatro e no cinema, participou de produções como Terra Estrangeira e recebeu diversos prêmios ao longo da trajetória. Em 2006, foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural por sua contribuição à cultura brasileira.

Homenagens nos últimos anos

Mesmo distante das novelas, Laura continuava ligada à Globo. Em outubro de 2025, foi uma das primeiras artistas escolhidas para receber uma estrela na Calçada da Fama criada nos Estúdios Globo em comemoração aos 30 anos do complexo de produção.

No mesmo mês, participou da gravação da mensagem de fim de ano da emissora e protagonizou um reencontro com Tony Ramos e Susana Vieira. Na ocasião, Susana chamou Laura de “mestra” e “professora” e destacou a importância da veterana em sua formação como atriz.

Aos 98 anos, Laura ainda fazia aparições públicas e mantinha uma relação próxima com os fãs, que acompanhavam sua rotina por meio do perfil administrado pelo bisneto Fernando Faria.

Laura Cardoso falava sem medo sobre a morte

Em uma entrevista concedida à revista Quem em 2019, quando completava mais de sete décadas de carreira, Laura falou com naturalidade sobre o envelhecimento e a morte.

“Brinco com as minhas filhas que só tenho medo do fantasma. Mas não tenho medos, nem da morte. É uma besteira ter medo da morte! Ela é imprevisível, mas inevitável. A gente não sabe quando ela vem, mas que ela é certa para todo mundo, ela é. Só não diz a hora que vem”, afirmou.

Na mesma ocasião, resumiu a relação que sempre manteve com a própria trajetória: “Amo a vida, agradeço a Deus por ter chegado a essa idade, mas a gente um dia vai embora”.
 
 

Retiro dos Artistas promove, a partir desta quarta-feira (19), um bazar beneficente com roupas, chapéus, acessórios, quadros e outros objetos que pertenceram a Jô Soares. As peças foram doadas por Flávia Pedras e serão vendidas apenas presencialmente

Folhapress | 20:00 – 17/08/2026

 



Fonte: Notícias ao Minuto

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