Mariana sedia V Encontro das Cidades Históricas de Minas e reforça debate sobre preservação do patrimônio e turismo
Evento reúne representantes de mais de 50 municípios, amplia a associação e destaca desafios como o financiamento da preservação após a reforma tributária
A preservação do patrimônio histórico, o fortalecimento do turismo cultural e os impactos da reforma tributária sobre as cidades históricas dominaram a abertura do V Encontro das Cidades Históricas de Minas Gerais, realizada nesta sexta-feira, em Mariana. O município recebe representantes de mais de 50 cidades integrantes da Associação Mineira das Cidades Históricas, além de autoridades estaduais, gestores públicos e especialistas ligados à cultura e ao patrimônio.
O encontro, que prossegue até este sábado, consolida Mariana como um dos principais polos de discussão sobre políticas públicas voltadas à preservação do patrimônio cultural brasileiro. A programação reúne debates técnicos, apresentações culturais, intercâmbio de experiências entre municípios e discussões sobre estratégias para fortalecer o turismo histórico em Minas Gerais.
Patrimônio histórico une municípios mineiros
Na abertura do evento, a cidade recebeu delegações de diversas regiões do estado em uma programação preparada pela Secretaria Municipal de Patrimônio Cultural. Os visitantes foram recepcionados com manifestações culturais marianenses, apresentações artísticas e uma mostra de produtos típicos, gastronomia e artesanato dos municípios participantes, reforçando a diversidade cultural que caracteriza as cidades históricas mineiras.

Um dos destaques da cerimônia foi a apresentação da Cômica Cia de Teatro, que levou ao palco o espetáculo “ALPHONSUS”, homenagem ao poeta simbolista Alphonsus de Guimaraens. A performance uniu música, teatro e literatura para destacar a forte ligação do escritor com Mariana e reforçar a identidade cultural do município.
Associação amplia representatividade em Minas Gerais
Presidente da Associação Mineira das Cidades Históricas e prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo lembrou que a entidade foi criada em 1983, com apoio do então secretário de Estado da Cultura, José Aparecido de Oliveira, para unir municípios detentores de relevante patrimônio histórico.

Segundo ele, a associação continua ampliando sua atuação e anunciou a entrada de novos municípios do Sul de Minas, entre eles Aiuruoca, Bom Jardim de Minas e Andrelândia, fortalecendo a integração entre diferentes regiões do estado e valorizando novos roteiros históricos e turísticos.
O prefeito também destacou que a união entre os municípios é fundamental para ampliar parcerias, defender políticas públicas voltadas ao patrimônio e garantir maior representatividade das cidades históricas perante os governos estadual e federal.
Juliano Duarte destaca protagonismo de Mariana
Ao receber os participantes, o prefeito Juliano Duarte ressaltou o significado histórico de Mariana como primeira vila, primeira cidade e primeira capital de Minas Gerais.
Durante seu pronunciamento, o prefeito apresentou aos visitantes uma das tradições mais conhecidas do município: a origem do apelido “gaveteiro”, expressão popular ligada à história marianense e cercada por diferentes narrativas preservadas ao longo dos séculos.
Juliano também destacou que sediar o encontro reforça o papel de Mariana como referência nacional na preservação do patrimônio histórico e na valorização da cultura.
“Que este encontro seja um momento de debate, diálogo e fortalecimento da Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais. Precisamos potencializar o turismo e garantir investimentos para preservar nosso patrimônio para as próximas gerações.”
Reforma tributária preocupa gestores
Além da programação cultural, um dos temas centrais da abertura foi o futuro do financiamento destinado à conservação dos bens tombados.
Durante o discurso, Juliano Duarte demonstrou preocupação com os impactos da reforma tributária sobre os recursos do ICMS Cultural, considerados essenciais para a manutenção dos monumentos históricos.
Segundo o prefeito, as cidades históricas enfrentam custos elevados para restaurar e conservar igrejas, casarões, museus e demais patrimônios protegidos, tornando indispensável a existência de políticas permanentes de financiamento.
A preocupação foi compartilhada por outros gestores presentes ao encontro, que defendem uma atuação conjunta da associação para buscar alternativas que garantam recursos destinados à preservação do patrimônio cultural mineiro.
Turismo e preservação caminham juntos
Além dos debates institucionais, o encontro busca fortalecer o turismo como ferramenta de desenvolvimento econômico e valorização da identidade regional.
Ao longo dos dois dias de programação, prefeitos, gestores culturais e especialistas discutem ações voltadas à preservação do patrimônio material e imaterial, ampliação dos roteiros turísticos, captação de investimentos e intercâmbio de experiências entre os municípios.
A expectativa é que as discussões resultem em propostas conjuntas para fortalecer a atuação da Associação Mineira das Cidades Históricas e ampliar a visibilidade dos destinos históricos de Minas Gerais no cenário nacional.



