MILÃO, ITÁLIA (FOLHAPRESS) – O papa Leão 14 recebeu diagnóstico de câncer de pulmão nesta terça-feira (13) após ter sido operado no hospital Agostino Gemelli, em Roma, para a remoção de um nódulo. Segundo o Vaticano, o procedimento retirou um tumor maligno, identificado como adenocarcinoma pulmonar.
O escritório de imprensa da Santa Sé afirmou que a cirurgia ocorreu como previsto e o pontífice já estava em seu quarto no início da noite no horário italiano. Em outro boletim médico, divulgado pouco antes das 22h do horário local (17h em Brasília), o Vaticano afirma que na cirurgia foi removido o lobo inferior do pulmão direito por meio de técnica videoassistida.
“O exame histológico confirmou o diagnóstico de um adenocarcinoma pulmonar, conforme suspeitado por exames pré-operatórios”, diz a nota assinada pelo médico Stefano Margaritora, diretor de cirurgia toráxica do hospital, e Luigi Carbone, médico do papa.
A cirurgia durou 90 minutos, e, no total, o papa ficou cerca de três horas na sala operatória. A intervenção foi sem complicações e Leão 14 acordou normalmente da anestesia. Após breve período de observação, voltou para seu quarto.
“A intervenção foi concluída com sucesso, no tempo e no modo previstos, e o Santo Padre já voltou para o quarto”, afirmou a primeira nota, divulgada pouco antes da 20h (15h em Brasília). A cirurgia foi realizada no fim da tarde pela equipe coordenada pelo médico Stefano Margaritora, diretor de cirurgia toráxica do hospital. A recuperação no hospital é prevista para durar cerca de sete dias.
Esse é o primeiro problema de saúde do papa divulgado publicamente. Ele tem 71 anos e foi eleito pelos cardeais há cerca de um ano e meio, em maio de 2025.
Foi o próprio Leão 14 a anunciar que seria submetido a uma cirurgia. No domingo (11), se dirigindo aos fiéis presentes na praça São Pedro, ao fim da habitual oração do Angelus, surpreendeu a todos com a declaração. “Recentemente, durante alguns exames, os médicos encontraram um nódulo circunscrito ao pulmão, identificado em uma fase muito inicial e bem localizado”, afirmou.
O Vaticano depois informou que os exames eram de rotina e que o papa não tinha sintomas.
O pontífice chegou ao hospital pouco depois das 13h do horário italiano, manhã no Brasil. Na entrada, foi recebido por diretores da estrutura e acenou para curiosos, fiéis e pacientes que aguardavam sua chegada. Ele está internado no décimo andar do hospital, mas não na suíte reservada para os papas, que está em reforma.
Antes da internação, foram divulgadas duas nomeações assinadas por Leão 14. Uma delas é a do bispo brasileiro Francisco Cota de Oliveira, que deixa a diocese de Sete Lagoas para assumir a de Itabira-Fabriciano, ambas em Minas Gerais.
O Vaticano avisou que os compromissos do papa estão suspensos até 20 de outubro. Ele continua no comando da Igreja Católica durante a internação. A viagem para a América do Sul, entre 6 e 17 de novembro, continua confirmada na agenda.
Pela manhã, o secretário de Estado da Santa Sé, Pietro Parolin, disse ter falado com o papa na tarde da segunda (12).
“Estou preocupado porque não esperava algo do tipo”, afirmou o cardeal, que ocupa o segundo posto mais importante do Vaticano. Ao mesmo tempo, disse ter ficado impressionado com a serenidade transmitida por Robert Prevost. “Vamos esperar que, como ele disse, essa dificuldade esteja no início e que se resolva o mais breve possível.”
Leão 14, que não tinha problemas conhecidos de saúde, é o terceiro papa a ser operado no Gemelli. O primeiro foi João Paulo 2º, em 1981, depois do atentado sofrido na praça São Pedro. Foi a primeira vez que um pontífice se tratou fora do Vaticano.
Até 2005, quando morreu, aos 84 anos, foram mais nove internações no centro de saúde. O polonês sofria de mal de Parkinson, doenças respiratórias e problemas cardiológicos. Ele morreu no Vaticano, devido a um choque séptico seguido de colapso cardiovascular. Na entrada do hospital foi colocada em 2009 uma estátua dele, feita de mármore Carrara.
Francisco, antecessor de Leão 14, passou por duas cirurgias ali, além de outros tratamentos. Em 2021, foi submetido a uma operação programada no cólon, para tratar uma diverticulite. Em 2023, outra intervenção, dessa vez para tirar uma hérnia no abdôme decorrente de uma antiga operação na Argentina.
Semanas antes de morrer, em abril de 2025, aos 88 anos, Francisco havia ficado quase 40 dias internado no Gemelli por causa de uma pneumonia bilateral. O argentino morreu no Vaticano de um AVC seguido de insuficiência cardíaca.
Leia Também: Cirurgia do papa Leão 14 foi um sucesso, diz Vaticano


