Papa Leão 14 receberá alta do hospital neste sábado, diz Vaticano


MICHELE OLIVEIRA
MILÃO, ITÁLIA (FOLHAPRESS) – O papa Leão 14 vai receber alta neste sábado (17) do hospital Agostino Gemelli, em Roma, depois de quatro dias internado para retirar um tumor maligno do pulmão. Segundo os médicos, a decisão foi tomada depois de resultados satisfatórios de exames realizados pela manhã.

Neste domingo (18), ele vai celebrar a oração do Angelus da janela do Palácio Apostólico, na praça São Pedro, como de costume.

“Em consideração aos exames de sangue e de controle radiológico do tórax, realizados nesta manhã, e avaliado o quadro clínico, o Santo Padre foi considerado apto para a alta”, diz o boletim médico assinado pelo médico do papa, Luigi Carbone, e pelo cirurgião Stefano Margaritora.

No procedimento realizado na terça-feira (13) foi removido o lobo inferior do pulmão direito por meio de técnica videoassistida. Segundo a equipe médica, o primeiro exame histológico confirmou o diagnóstico de um adenocarcinoma pulmonar, ou seja, um câncer de pulmão. Robert Prevost tem 71 anos e não tinha problemas conhecidos de saúde.

Os boletins divulgados ao longo da semana relataram uma recuperação que evoluía bem. Na sexta (16), foi informado de que ele realizava atividades do dia a dia com total autonomia.

O papa retomou parte do trabalho e recebeu os cardeais Luis Antonio Tagle, recém-escolhido como decano do Colégio Cardinalício, e Baldo Reina, vicário para as dioceses de Roma.

Também na sexta, falou por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, um grande sinal para o mundo de que Leão 14 continua ativo e atento aos acontecimentos, apesar da internação.

Na conversa, segundo o Vaticano, o papa expressou preocupação pela situação humanitária na Ucrânia, na região de Kherson. E pediu uma “trégua para consentir a chegada de ajuda alimentar e sanitária e a evacuação voluntária e segura da população civil”.

Para os próximos dias, é esperado o resultado da análise do tumor retirado do pulmão para entender que terapia ou acompanhamento médico será recomendado ao Papa.

O anúncio do diagnóstico e o tratamento podem influenciar o andamento do pontificado, até agora marcado por um ritmo prudente de Leão 14. Eleito há um ano e meio pelos cardeais, aos 69 anos, a expectativa era de um papado longo, sem senso de urgência para suas realizações.

“Foi um duro golpe. A ideia era que esse papa, eleito jovem em comparação aos antecessores, estaria imune por um certo número de anos a problemas de saúde e que se poderia contar com ele pelo que faz dentro, mas principalmente fora da Igreja, como pela paz”, diz Massimo Faggioli, professor no departamento de teologia da Universidade Villanova, nos EUA.

A reação do papa e da própria máquina do Vaticano quanto ao novo cenário levanta dúvidas sobre se o ritmo de realizações e da agenda deverá se tornar mais lento, para dar conta de eventuais tratamentos, ou, ao contrário, ficará mais acelerado.

“Claro que agora tem mais incerteza. Não é de domínio público o que vão significar as próximas semanas e meses para o papa como paciente”, diz Faggioli, autor do livro “Leão 14 e a Igreja global”, ainda sem edição no Brasil.

Uma possibilidade, segundo o professor, é que a lista de prioridades sofra mudanças. “Uma pode estar relacionada aos cardeais, já que ele ainda não anunciou os seus. Pode ser algo que aconteça já nos próximos meses”, diz. O último consistório para a criação de novos cardeais foi em dezembro de 2024, pelo papa Francisco.

O próprio cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, fez referência a uma possível adaptação do papado para o futuro próximo. “Trata-se de ver agora quando e em que situação ele vai voltar, o que dirão os médicos. Com base nesses elementos, o papa vai remodelar seu pontificado, se for necessário”, afirmou na quinta-feira (15).

No esforço de demonstrar normalidade, o Vaticano continua a confirmar a viagem para a América do Sul, entre 6 e 17 de novembro, por enquanto sem detalhes sobre mudanças na programação.

Outro efeito possível, diz o professor Faggioli, é um fortalecimento da personalidade de Leão 14, que se posicionou nos últimos meses em temas de paz, tecnologia e de enfrentamento a populistas como Donald Trump. “Ele se fez ouvir principalmente sobre a questão internacional e sobre inteligência artificial e isso [a saúde] poderia aumentar mais a atenção em sua direção.”

Cuba denunciou que as mortes por câncer no país ultrapassam as 70 por dia, com a sobrevivência de crianças e jovens caindo de 85% para 65%, atribuindo a situação ao embargo dos EUA à importação de medicamentos oncológicos.

Notícias ao Minuto Brasil | 07:15 – 17/10/2026



Fonte: Notícias ao Minuto

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