Patrick Stewart: a última jornada do ator que trouxe classe à cultura pop


Não contente em se tornar um ícone da cultura pop, Patrick Stewart dobrou a aposta ao assumir o papel do mutante Charles Xavier em “X-Men”, de 2000. Sua decisão foi em parte pela vontade de trabalhar com o diretor Bryan Singer, e também pela oportunidade de dividir a cena com seu amigo Ian McKellen – que, ironicamente, foi contra Stewart deixar o teatro para fazer “Star Trek”, mas depois voltou atrás em sua opinião.

Depois da primeira aventura, embrionária para que a Marvel depois se tornasse um colosso nos cinemas, Stewart fez mais seis filmes da série – “X2”, “O Confronto Final”, “X-Men Origens: Wolverine”, “Wolverine Imortal”, “Dias de Um Futuro Esquecido” e “Logan”, que lhe conferiu um destino trágico em 2017. Ainda assim, ele voltou a interpretar o professor Xavier no universo cinematográfico Marvel em “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura”. “Vingadores: Doutor Destino”, que estreia no final do ano, marca também seu último trabalho.

Sua jornada pelo cinema de entretenimento nem sempre foi deliberada. “A Nova Geração” o manteve por muito tempo fora dos palcos, e conseguir outros papeis se tornou um desafio porque, nos anos 1980 até meados da década seguinte, estar atrelado a um personagem tão emblemático diminuia as chances de exercitar os músculos dramáticos em outros gêneros. Essa limitação também contribuiu para que ele entrasse no universo dos “X-Men” e, curiosamente, fizeram seu nome rodar o planeta.

Justamente por isso Stewart agarrava qualquer oportunidade de quebrar essa caixa com afinco. Em 2003, fez um diretor de ópera gay na última temporada da série “Frasier”. Fez uma versão de si mesmo estranhamente obcecada por mnudez na série “Extras”, de Ricky Gervais e Stephen Merchant. Interpretou um skinhead no barra-pesada “Sala Verde” (2015). Foi John Bosley no malfadado reboot de “As Panteras” dirigido por Elizabeth Banks em 2019.

Fora das telas, era ativista pelos direitos humanos, colocou sua voz pela defesa dos animais, de refugiados, de sobreviventes da violência doméstica, de veteranos que sofriam de distúrbios mentais ao voltar para casa. Uma vida como ator, fosse nos palcos, combatendo o ódio contra mutantes e explorando o grande desconhecido à bordo da Enterprise, lhe conferiram sensibilidade e nobreza para enxergar um mundo em que todos somos iguais.

Ah, e como bom britânico, era fanático por futebol. Fez questão de conhecer o técnico Felipão em 2014 e era torcedor do Huddersfield Town. Quando visitei as filmagens de “X2” em Vancouver, isso lá atrás em 2003, as entrevistas com o elenco dependiam de quem tinha disponibilidade no set. Já meu papo com Patrick Stewart foi encaixado no intervalo da partida do campeonato inglês que ele, assistindo em seu trailer, não podia perder.



Fonte: Uol

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