Na última edição do “Conversa com Bial”, Pedro Bial reuniu três atrizes de diferentes gerações para debater a vilania nas novelas. Susana Vieira, Lília Cabral e Isabel Teixeira, que possuem carreiras marcadas por antagonistas malévolas e moralmente dúbias, foram as escolhidas para esse papo.
A entrevista girou em torno de personagens que ficaram na memória do público e de produções que ficaram para a história da TV. Com o risco de soar saudosista, a conclusão desse debate é uma só: não se fazem mais novelas como antigamente. Obras com tramas ousadas, capazes de criar catarses coletivas, que desenvolvem tipos muito identificáveis e humanos foram se tornando cada vez mais raras com o tempo. Prova disso são os exemplos de folhetins citados pelas atrizes e pelo jornalista ao longo da conversa. A grande maioria foi ao ar até a década de 2000.
A explicação para esse “fenômeno” não é simples. Vários fatores contribuíram para que as novelas já não causem mais o frisson de outras épocas. A democratização da oferta de conteúdo que aconteceu com a expansão da internet pulverizou a atenção dos espectadores, o que fez os canais lineares e as plataformas de streaming apostarem em produções que prendam o público a qualquer custo. Não há mais tanto espaço para histórias elaboradas, que envolvam a audiência aos poucos. Tudo precisa ser muito rápido e essa velocidade impacta a qualidade das produções.



