Quem ganhou em Israel? Entenda por que formar governo pode levar meses


As eleições parlamentares de Israel, realizadas na terça-feira (27), deixaram o país diante de um possível impasse político. Embora o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tenha assumido a liderança durante a apuração, a vantagem ainda não é suficiente para garantir a formação de um novo governo.

Com aproximadamente 57% dos votos contabilizados nesta quarta-feira (28), o bloco de Netanyahu projetava 55 cadeiras no Parlamento, contra 49 da oposição e 16 dos partidos árabes.

Israel tem um Parlamento de 120 deputados, conhecido como Knesset. Para formar uma maioria, são necessários pelo menos 61 assentos.

Isso significa que Netanyahu pode terminar a apuração à frente dos adversários e, mesmo assim, não conseguir reunir os apoios necessários para permanecer no poder.

O resultado também mantém aberta a possibilidade de o oposicionista Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, receber a missão de formar o próximo governo.

A formação do governo pode levar meses

Diferentemente do Brasil, Israel não elege diretamente seu primeiro-ministro. Os eleitores votam em listas partidárias, e as 120 cadeiras do Parlamento são distribuídas proporcionalmente entre os partidos que superam a cláusula de barreira de 3,25% dos votos.

Como nenhuma legenda costuma conquistar a maioria sozinha, a formação do governo depende de acordos entre diferentes partidos.

A apuração final está prevista para sexta-feira (30), enquanto a publicação formal dos resultados deve ocorrer em 4 de novembro, segundo o calendário apresentado pela Reuters.

Depois disso, o presidente Isaac Herzog consultará os partidos eleitos para identificar qual parlamentar reúne as melhores condições de formar uma coalizão.

O escolhido não precisa necessariamente ser o líder do partido mais votado.

Quanto tempo o escolhido terá para formar governo?

O processo prevê diferentes etapas.

Na primeira tentativa, o político indicado pelo presidente terá 28 dias para negociar uma coalizão. Esse prazo poderá ser prorrogado por mais 14 dias, chegando a 42 dias.

Caso não consiga formar governo, Herzog poderá escolher outro parlamentar, que terá mais 28 dias para tentar reunir os apoios necessários, sem possibilidade de prorrogação.

Se a segunda tentativa também fracassar, o Parlamento terá um período de 21 dias para indicar outro candidato apoiado por pelo menos 61 deputados.

Esse terceiro candidato receberá 14 dias para formar governo.

Se todas as tentativas falharem, Israel poderá convocar novas eleições, prolongando ainda mais a indefinição política.

Partidos árabes são decisivos

As legendas que representam principalmente os cidadãos árabes de Israel ganharam importância nas eleições de terça-feira.

As pesquisas de boca de urna chegaram a projetar entre 18 e 19 cadeiras para esses partidos, quase o dobro da representação que tinham no Parlamento anterior.

Embora a distribuição final ainda dependa da contagem, os resultados indicam que essas legendas podem desempenhar um papel decisivo na formação de uma maioria.

Para Eisenkot, uma possibilidade seria negociar o apoio dos partidos árabes à formação de um governo minoritário, mesmo sem incorporá-los formalmente à coalizão.

O cenário, entretanto, enfrenta resistências dentro da própria oposição.

Avigdor Lieberman, ex-ministro da Defesa e líder do partido Yisrael Beiteinu, já se manifestou contra uma fórmula de governo dependente desse apoio.

Netanyahu também rejeita uma coalizão sustentada pelos partidos árabes.

“Devemos formar um governo nacional de direita forte”, declarou o primeiro-ministro durante um discurso aos apoiadores na madrugada desta quarta-feira, segundo o jornal espanhol El País.

Netanyahu também criticou adversários que consideram acordos políticos com essas legendas.

Netanyahu pode continuar no poder mesmo sem vencer?

Sim. Enquanto não houver um novo governo aprovado pelo Parlamento, Netanyahu permanece como primeiro-ministro à frente de uma administração de transição.

Isso significa que o atual gabinete continua exercendo suas funções durante as negociações.

Caso o impasse se prolongue ou sejam convocadas novas eleições, a permanência do governo interino também poderá se estender.

Uma alternativa discutida no cenário político israelense é a formação de um governo de unidade nacional, reunindo partidos de campos adversários.

Esse tipo de acordo poderia incluir um sistema de alternância no cargo de primeiro-ministro, como ocorreu em Israel em 2020.

Entretanto, não há acordo anunciado entre Netanyahu e Eisenkot para a adoção dessa fórmula.

O que pode mudar com o novo governo de Israel

As negociações acontecem em meio a divergências sobre questões centrais da política israelense, incluindo a segurança nacional, a relação com o Irã, a situação na Faixa de Gaza e o serviço militar obrigatório para judeus ultraortodoxos.

O tema do alistamento militar é um dos pontos de conflito entre partidos religiosos que apoiam Netanyahu e setores da oposição.

Eisenkot defende mudanças nas regras de recrutamento, enquanto partidos ultraortodoxos resistem à ampliação da obrigatoriedade do serviço militar.

A disputa também envolve o futuro das instituições israelenses e a relação entre o governo, o Parlamento e o Judiciário.

A eleição registrou participação de 77,7% dos eleitores, a maior em mais de duas décadas, segundo a Comissão Eleitoral Central.

Partido do do atual primeiro-ministro deve conquistar 24 cadeiras, contra 22 do Yashar, principal legenda de oposição, liderada por Gadi Eisenkot

Folhapress | 18:30 – 27/10/2026



Fonte: Notícias ao Minuto

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