
Hoje, qualquer aparição de Quentin Tarantino provoca filas quilométricas. Mas, em outubro de 1992, o cenário na avenida Paulista era outro. Quando desembarcou no Brasil pela primeira vez para a 16ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o cineasta de 29 anos era um completo desconhecido, e protagonizou um dos capítulos mais folclóricos da história do festival.
Convidado pelo olhar visionário de Leon Cakoff (fundador da Mostra) e recebido também por Renata de Almeida (atual diretora do evento), Tarantino veio apresentar seu longa de estreia: “Cães de Aluguel”. Dois anos antes do fenômeno “Pulp Fiction” (1994), ninguém fazia ideia de quem era aquele jovem agitado que caminhava tranquilo pela capital paulista.
Sessão para 16 pessoas e feijoada
O contraste entre o tamanho que Tarantino teria no cinema e sua recepção inicial virou lenda. Na primeira exibição de “Cães de Aluguel”, no MASP (Museu de Arte de São Paulo), a plateia tinha apenas 16 pessoas, incluindo o próprio diretor. O boca a boca, porém, fez justiça rápida: o impacto do filme espalhou-se pelos corredores, lotou as sessões seguintes e lhe rendeu o Prêmio da Crítica daquela edição.


