Regina Casé relaciona fama de antipática a ataques por dar espaço à diversidade na TV



RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A fama de antipática que acompanha Regina Casé, 72, nas redes sociais, segundo a própria atriz, tem origem na repercussão de programas em que deu espaço a pessoas negras, LGBTQIA+ e moradores da periferia na televisão. Ela afirmou que o sucesso de dona Lourdes, protagonista de “Amor de Mãe”(2019), ajudou a reduzir os ataques virtuais que recebia.

Regina contou que costuma atender fãs quando é abordada nas ruas, mas disse que a imagem de alguém distante do público continua sendo alimentada na internet. Ela citou a fisioterapeuta, que frequentemente a acompanha, como testemunha. Segundo Regina, as acusações não correspondem à realidade.

Ao falar sobre o assunto no Sem Censura, exibido nessa segunda-feira (29), a atriz relatou que a profissional se surpreende ao ler comentários afirmando que ela trata o público de forma diferente quando está longe das câmeras. “Aí, tadinha, ela entra na internet e falam: ‘Regina é uma coisa na frente das câmeras, fora é outra, não fala com ninguém, não tira fotos’. Ela fala: ‘Regina, mas é mentira'”, contou.

O tema surgiu após uma pergunta do comentarista Murilo Ribeiro, conhecido como Muka. Ele questionou sobre a rejeição enfrentada pelo Esquenta! (2011-2017), atração que valorizava ritmos populares, como samba, funk e tecnobrega, além de dar protagonismo a pessoas negras e LGBTQIA+.

Para Regina Casé, a resistência ao programa refletia o crescimento de uma onda conservadora que ainda não se manifestava de forma explícita. Ela afirmou que a reação era mais intensa quando levava ao ar personagens distantes do padrão tradicional da televisão.

“Se você leva um casal gay muito bonitinho, loirinho, em um programa de noite é mais palatável. Eu levei, por exemplo, um casal de cortadoras de cana do sertão, duas mulheres casadas”, disse.

A apresentadora afirmou que acabou se tornando o principal alvo das críticas dirigidas aos participantes do programa. “Ninguém sabe o nome daquelas pessoas. Todo o preconceito e ódio, você tem que botar em uma direção. Então, eu virei um ralo para isso. Foi muito duro um período, eu admito. Era muito violento”, comentou lembrando que Central da Periferia (2006-2007) e Programa Legal (1991-1992), também despertaram ataques por priorizarem anônimos e moradores da periferia em vez de celebridades.

Regina afirmou que a volta às novelas contribuiu para diminuir a rejeição que enfrentava nas redes sociais. Segundo a atriz, o público passou a enxergá-la de forma diferente quando ela voltou à dramaturgia, já que, nas novelas, quem está em evidência é a personagem. Em tom de brincadeira, ela disse que dona Lourdes, protagonista de Amor de Mãe (2019), “limpou sua barra” e lhe permitiu respirar após um período marcado por ataques virtuais.

“Hoje em dia, é mais suave. Quando você está na dramaturgia, não é você que está ali. Eu digo que a dona Lourdes me ajudou muito. Ela veio para limpar minha barra um pouco e eu dar uma respirada”, afirmou.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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