O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, anunciou nesta segunda-feira (2) que o país pretende investir 21,3 trilhões de wons (aproximadamente 14,3 bilhões de euros) em inteligência artificial (IA), semicondutores e centros de dados em 2027. O valor representa quase o dobro dos recursos destinados a essas áreas neste ano.
“Vamos disponibilizar 21,3 trilhões de wons para semicondutores, IA física e centros de dados de inteligência artificial, quase o dobro do valor deste ano”, declarou Lee durante um discurso no Parlamento sul-coreano.
O anúncio faz parte da proposta orçamentária apresentada pelo governo para 2027, que prevê investimentos em tecnologia, defesa e infraestrutura.
Desse total, 4,7 trilhões de wons (cerca de 3,16 bilhões de euros) serão destinados ao desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial.
Segundo o presidente, os recursos vão financiar “projetos de desenvolvimento de IA de ponta, com o objetivo de alcançar um desempenho de nível mundial para nosso próprio modelo de inteligência artificial, um ativo estratégico nacional”.
A Coreia do Sul pretende ampliar sua capacidade tecnológica e reduzir a dependência de soluções desenvolvidas por outros países.
Maior orçamento da história da Coreia do Sul
A proposta orçamentária para 2027 chega a 821 trilhões de wons, aproximadamente 551,2 bilhões de euros.
O montante representa um aumento de 12,8% em relação ao orçamento de 2026 e, segundo o governo, é o maior já apresentado na história do país.
Para entrar em vigor, o projeto ainda precisa ser aprovado pela Assembleia Nacional. O partido de Lee Jae-myung possui maioria parlamentar, o que pode facilitar a tramitação da proposta.
Defesa também terá aumento de investimentos
Além da tecnologia, o governo sul-coreano pretende ampliar os gastos militares.
A proposta prevê um aumento de 8,2% no orçamento da defesa, que deverá chegar a 73,3 trilhões de wons (aproximadamente 49,2 bilhões de euros) em 2027.
Entre as prioridades estão o desenvolvimento de submarinos de propulsão nuclear, a modernização dos caças KF-21 e a incorporação de novas tecnologias às operações militares.
Lee afirmou que o objetivo é “transformar rapidamente as Forças Armadas em uma força de elite inteligente por meio da implementação de sistemas integrados, tripulados e não tripulados, baseados em inteligência artificial, robótica e drones”.
O governo também pretende ampliar a utilização de sistemas autônomos e tecnologias digitais para modernizar a estrutura de defesa nacional.
Coreia do Sul quer disputar liderança mundial em inteligência artificial
O investimento anunciado faz parte da estratégia sul-coreana para se posicionar entre as principais potências mundiais em inteligência artificial, ao lado dos Estados Unidos e da China.
O país já havia anunciado anteriormente a intenção de triplicar os gastos no setor, buscando acelerar o desenvolvimento de tecnologias próprias e ampliar sua competitividade internacional.
A Coreia do Sul também ocupa uma posição importante na indústria global de semicondutores.
Empresas como Samsung Electronics e SK hynix estão entre as maiores fabricantes mundiais de chips de memória avançados, componentes utilizados em servidores, centros de dados e sistemas de inteligência artificial.



