SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O Irã não pretende ter conversas de paz com os Estados Unidos no momento, informou Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país. As declarações aconteceram hoje, dia em que o país confirmou 30 civis e sete militares mortos desde a retomada dos confrontos.
Prioridade do país no momento é a defesa de ataques americanos, disse o porta-voz. Ele falou sobre o assunto com jornalistas locais, segundo a imprensa estatal iraniana.
Baghaei também condicionou o cumprimento de compromissos internacionais à postura dos EUA. “Nossos compromissos permanecem em vigor apenas enquanto o outro lado cumprir suas promessas”, disse o porta-voz, em declaração a jornalistas.
Segundo ele, o Irã deixou de cumprir pontos de um memorando de entendimento (MoU, na sigla em inglês) após os EUA violarem o acordo temporário. “Depois que a outra parte violou suas obrigações, nós também nos abstivemos de implementar as nossas em qualquer área em que isso fosse exigido”, afirmou.
Declaração acontece durante a escalada de tensões e o aumento de ataques entre os dois lados. Na segunda-feira, Donald Trump notificou oficialmente o Congresso americano sobre a retomada da guerra na região.
Os EUA têm divulgado vídeos de ataques em solo iraniano e detalhado os bombardeios no país em publicações nas redes sociais. Hoje, o governo Trump disse que atacou a Greater Tunb, uma ilha estratégica no território iraniano, que fica próxima à entrada do Estreito de Hormuz.
Ontem, várias explosões foram ouvidas na ilha iraniana de Qeshm. Localizada a cerca de 22 quilômetros ao sul da cidade portuária de Bandar Abbas, o território domina o Estreito de Clarence — também conhecido como Canal de Kuran —, uma importante passagem que conecta a ilha ao continente.
Sete militares e 30 civis do Irã morrem em ataques dos EUASituação em Hormuz
A Guarda Revolucionária iraniana voltou a afirmar que Hormuz permanecerá fechado enquanto continuarem as operações militares americanas. Cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo passa diariamente pela estreita passagem marítima que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, tornando a região um dos pontos mais sensíveis da economia global.
O órgão também ameaçou fechar todos os outros corredores de exportação que beneficiem os EUA e seus aliados. Analistas afirmaram à Reuters que o Irã vem sinalizando que pode usar seus aliados houthis no Iêmen para fechar a passagem de Bab el-Mandeb para o Mar Vermelho, abrindo uma nova frente contra Washington e colocando em risco duas das principais rotas de abastecimento energético do mundo.
Enquanto isso, gestão de Trump também impôs um bloqueio marítimo ao Irã no final do dia de ontem. A restrição é válida para embarcações em trânsito com origem e destino a portos e áreas costeiras iranianas, independentemente da bandeira. Ela abrange todos os portos, terminais petrolíferos e áreas costeiras do Irã. O comando norte-americano informou que, atualmente, há mais de 20 navios de guerra da Marinha dos EUA e centenas de aeronaves militares operando em todo o Oriente Médio.
Vários petroleiros foram atacados na passagem em ações que deixaram pelo menos dois mortos e vários feridos desde a noite de segunda-feira. A ONU expressou preocupação com as “graves consequências socioeconômicas e humanitárias” do bloqueio da “rota de passagem essencial da qual dependem milhões de pessoas”.
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