Morreu, aos 90 anos, Margaret Hamilton, cientista da computação americana que desempenhou um papel fundamental na chegada do homem à Lua. A pioneira da engenharia de software morreu em 30 de setembro, mas a notícia foi anunciada nesta quarta-feira (7) pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.
Hamilton ficou conhecida por liderar a equipe responsável pelo desenvolvimento dos programas de computador utilizados nas missões Apollo, da NASA. Seu trabalho foi decisivo para o sucesso da Apollo 11, que levou os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin à superfície lunar em 20 de julho de 1969.
A causa da morte não foi divulgada.
Ao longo de sua carreira, Hamilton ajudou a transformar a programação de computadores em uma disciplina reconhecida da engenharia, em uma época em que o desenvolvimento de software ainda estava começando.
Como Margaret Hamilton ajudou a levar o homem à Lua?
A contribuição mais conhecida de Margaret Hamilton ocorreu durante os momentos finais da missão Apollo 11.
Pouco antes de o módulo lunar Eagle pousar na Lua, o computador de bordo começou a emitir alarmes de sobrecarga. O problema poderia ter comprometido a operação e colocado em risco a missão.
No entanto, o sistema desenvolvido pela equipe liderada por Hamilton havia sido projetado para identificar falhas e priorizar as tarefas mais importantes.
Dessa forma, o computador conseguiu interromper atividades secundárias e concentrar seus recursos nos procedimentos essenciais para o pouso.
A tecnologia permitiu que os controladores da missão autorizassem a continuidade da descida, que terminou com o primeiro pouso de seres humanos na Lua.
O episódio se tornou um dos exemplos mais conhecidos da importância da engenharia de software para a exploração espacial.
Cientista liderou equipe com mais de 400 profissionais
Nascida em 17 de agosto de 1936, em Paoli, no estado americano de Indiana, Margaret Hamilton estudou matemática e começou sua trajetória profissional no MIT em 1959.
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Inicialmente, trabalhou no desenvolvimento de programas de computador para previsões meteorológicas, em colaboração com o pesquisador Edward Lorenz, conhecido por suas contribuições à teoria do caos.
Posteriormente, participou de projetos de defesa aérea dos Estados Unidos.
Em 1965, foi contratada para trabalhar no desenvolvimento do software de bordo do programa Apollo, tornando-se a primeira mulher programadora do projeto no MIT.
Com o avanço das missões espaciais, assumiu a liderança das equipes responsáveis pelos programas utilizados nos módulos de comando e lunar.
Em 1968, já ocupava uma posição de direção no laboratório, onde mais de 400 profissionais trabalhavam no desenvolvimento do software do programa Apollo.
A cientista defendia que os sistemas deveriam ser capazes de identificar e lidar com erros inesperados, uma abordagem que ajudou a estabelecer princípios utilizados até hoje no desenvolvimento de programas de computador.
Uma fotografia que entrou para a história da ciência
Uma das imagens mais conhecidas da história da computação mostra Margaret Hamilton em pé, ao lado de uma enorme pilha de documentos impressos, quase da sua altura.

A fotografia, registrada em 1969, mostra o código desenvolvido pelas equipes que ela liderava para os computadores de bordo das missões Apollo.
A imagem se tornou um símbolo da contribuição das mulheres para a ciência e para a exploração espacial.
Em uma entrevista ao MIT, Hamilton relembrou os desafios enfrentados durante o desenvolvimento do projeto.
“Olhando para trás, éramos as pessoas mais sortudas do mundo. Não tínhamos escolha a não ser sermos pioneiros”, afirmou.
Reconhecimento de Barack Obama e legado na tecnologia
Em 2016, Margaret Hamilton recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, uma das maiores honrarias civis dos Estados Unidos, das mãos do então presidente Barack Obama.
A homenagem reconheceu suas contribuições para o programa Apollo e para o desenvolvimento da engenharia de software.
Depois de deixar o MIT, Hamilton fundou a empresa Higher Order Software, em 1976, e a Hamilton Technologies, em 1986, dando continuidade ao desenvolvimento de tecnologias voltadas à confiabilidade dos sistemas computacionais.
Ao longo da carreira, publicou mais de 130 trabalhos científicos e técnicos.
Também recebeu diversas distinções, incluindo um prêmio da NASA em 2003 por suas contribuições científicas e tecnológicas e o reconhecimento do Computer History Museum em 2017.
No mesmo ano, foi homenageada pela Lego em uma coleção dedicada a mulheres que marcaram a história da agência espacial americana.
Hamilton deixa uma filha, Lauren Hamilton, um genro, dois netos e quatro bisnetos.




