O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, na terça-feira (27), um plano para eliminar parte das restrições às emissões de metano na indústria de petróleo e gás, estabelecidas durante o governo de seu antecessor, Joe Biden. A iniciativa pretende reduzir os custos das empresas do setor energético e estimular a produção de combustíveis fósseis no país.
O anúncio foi feito durante um comício eleitoral em Lubbock, no Texas, a uma semana das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.
“Esta noite, estou oficialmente encerrando as regulamentações caras e desnecessárias de Biden sobre o metano, para economizar US$ 45 bilhões para consumidores e produtores de energia”, declarou Trump.
O republicano afirmou que as mudanças permitirão ampliar a exploração das reservas de gás natural do Texas e aumentar a produção de petróleo em aproximadamente 210 milhões de barris.
Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), a proposta também poderá resultar na produção adicional de 1,41 trilhão de pés cúbicos de gás natural.
Os números apresentados são estimativas do governo americano, e os efeitos econômicos e ambientais dependerão da implementação das novas regras.
O que Trump pretende mudar nas regras ambientais?
As regulamentações aprovadas em 2024, durante o governo Biden, estabeleceram exigências mais rigorosas para controlar as emissões de metano nas instalações de petróleo e gás.
Entre as obrigações estavam a identificação e o reparo de vazamentos, a inspeção periódica de equipamentos e o monitoramento de poços existentes, incluindo unidades com baixa produção.
O objetivo era reduzir a liberação de metano na atmosfera, uma vez que esse gás possui elevado potencial de aquecimento global.
A proposta apresentada pelo governo Trump pretende flexibilizar parte dessas exigências, especialmente para pequenos produtores e instalações consideradas economicamente menos rentáveis.
Uma das mudanças envolve o programa Super Emitter, criado para identificar grandes vazamentos de metano.
O mecanismo permite que entidades externas, incluindo organizações autorizadas, utilizem tecnologias de monitoramento para identificar emissões elevadas e comunicar os resultados às autoridades ambientais.
A partir dessas informações, as empresas responsáveis pelas instalações podem ser obrigadas a investigar e corrigir os vazamentos.
A administração Trump pretende eliminar esse programa e flexibilizar outras exigências, incluindo restrições relacionadas à queima rotineira de gás natural em poços de petróleo.
Apesar de Trump ter anunciado o encerramento das regulamentações, a EPA apresentou uma proposta de revisão das normas, o que significa que as alterações ainda dependem dos procedimentos regulatórios necessários para entrar em vigor.
Por que Trump quer aumentar a produção de petróleo?
O anúncio faz parte da estratégia do presidente americano de ampliar a produção nacional de combustíveis fósseis e reduzir os custos de energia.
A Casa Branca enfrenta pressão devido ao aumento dos preços da gasolina, influenciado pelos efeitos da guerra envolvendo os Estados Unidos e o Irã.
O encarecimento dos combustíveis se tornou um dos principais temas da campanha para as eleições legislativas de 3 de novembro, nas quais os republicanos tentarão manter o controle do Congresso.
Durante o comício no Texas, Trump responsabilizou as políticas ambientais do governo Biden por elevar os custos de produção de petróleo e gás.
Segundo o presidente, a redução das exigências permitirá que empresas menores ampliem suas atividades e contribuam para aumentar a oferta de energia no mercado americano.
A iniciativa também atende a reivindicações de representantes da indústria petrolífera, que consideram parte das exigências ambientais excessivamente caras, especialmente para pequenos operadores.
Por que o metano preocupa os ambientalistas?
O metano é um dos principais gases responsáveis pelo aquecimento global.
Embora permaneça na atmosfera por menos tempo do que o dióxido de carbono (CO₂), seu potencial de aquecimento é significativamente maior nas primeiras décadas após a emissão.
A indústria de petróleo e gás está entre as principais fontes de emissões de metano provocadas por atividades humanas, especialmente devido a vazamentos em poços, equipamentos, tubulações e instalações de processamento.
As regras aprovadas durante o governo Biden buscavam reduzir essas emissões por meio de inspeções obrigatórias e reparos de vazamentos.
Segundo estimativas anteriores da EPA, as regulamentações poderiam evitar a emissão de aproximadamente 58 milhões de toneladas de metano até 2038.
Organizações ambientais criticaram o plano de Trump e alertaram que a redução da fiscalização poderá permitir o aumento de vazamentos e da poluição atmosférica.
Os grupos também argumentam que, além de contribuir para o aquecimento global, o desperdício de gás natural representa perdas econômicas e pode afetar a qualidade do ar nas comunidades próximas às instalações de exploração.



