O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) acusa a influenciadora Virginia Fonseca de incentivar milhões de seguidores a apostar em Cabo Verde contra a Argentina durante a Copa do Mundo de 2026. A afirmação consta na ação civil pública ajuizada contra a influenciadora e a plataforma de apostas Blaze.
Segundo o processo, Virginia publicou, em 3 de julho, um story no Instagram para seus mais de 56 milhões de seguidores dizendo que estava “confiante” no desempenho do goleiro Vozinha e compartilhou um link para que outras pessoas também fizessem apostas na partida válida pelas oitavas de final do Mundial.
Na avaliação do promotor Paulo Roberto Binicheski, a publicação não identificava de forma clara que se tratava de uma ação publicitária e levava os seguidores a acreditar que a influenciadora estava fazendo uma aposta por iniciativa própria.
O Ministério Público afirma que, ainda que Virginia realmente tenha apostado no jogo, isso não elimina o potencial de influência da publicação nem os possíveis prejuízos aos consumidores.
Para o órgão, a influenciadora participou de uma estratégia coordenada de divulgação da plataforma de apostas, prática que poderia se enquadrar no chamado “rollover”, mecanismo em que influenciadores recebem vantagens financeiras de acordo com o número de novos apostadores atraídos para a plataforma. Segundo o MP, esse tipo de prática é proibido pela regulamentação federal.
Na ação, o promotor destaca que a relação construída por Virginia com seus seguidores amplia o poder de convencimento das publicações.
“O receptor não processa a mensagem como publicidade explícita; ele a internaliza como um gesto pessoal de alguém de confiança”, afirma o documento.
Segundo o MPDFT, a investigação começou após um relatório técnico identificar mais de 42 mil reclamações relacionadas à Blaze. Entre os indícios apontados estão supostas práticas abusivas, retenção de valores de apostadores e metas de apostas consideradas inalcançáveis para influenciadores parceiros.
A Promotoria pede que Virginia e a Blaze sejam condenadas por publicidade enganosa e abusiva, além do pagamento de R$ 120 milhões por danos coletivos e individuais. O órgão também solicita a remoção de conteúdos publicitários ligados à plataforma, a suspensão de cláusulas consideradas irregulares nos contratos firmados com influenciadores e a realização de campanhas educativas sobre os riscos das apostas e do superendividamento.
O pedido ainda depende de análise da Justiça.
Em nota, a defesa de Virginia afirmou que tomou conhecimento da ação pela imprensa e informou que responderá às alegações no processo. Os advogados também sustentam que o próprio Ministério Público reconhece a existência de diligências ainda pendentes e afirmam que o órgão poderia ter aguardado a conclusão das investigações antes de ajuizar a ação.
A Foggo Entertainment Ltda., empresa responsável pela Blaze no Brasil, informou que ainda não foi formalmente intimada e afirmou manter suas operações em conformidade com a legislação brasileira e com as diretrizes de jogo responsável. A empresa acrescentou que prestará os esclarecimentos necessários assim que for oficialmente notificada.



