Hábito comum pode aumentar em 24% o risco de morte, diz estudo


Tomar uma cerveja depois do trabalho ou uma taça de vinho durante o jantar faz parte da rotina de muitas pessoas. Mas até que ponto a quantidade e o tipo de bebida alcoólica consumida podem interferir na saúde ao longo dos anos?

Um amplo estudo apresentado na reunião científica anual do American College of Cardiology (ACC.26) analisou dados de 340.924 adultos e encontrou uma associação clara entre o consumo elevado de álcool e um maior risco de morte.

Entre aqueles classificados no grupo de maior consumo, o risco de morrer por qualquer causa foi 24% maior em comparação com pessoas que nunca bebiam ou consumiam álcool apenas ocasionalmente. O risco de morte por câncer foi 36% maior, enquanto o de morte por doenças cardiovasculares aumentou 14%.

Como foi feito o estudo sobre álcool?

Os pesquisadores utilizaram informações do UK Biobank, banco de dados que acompanha a saúde de centenas de milhares de pessoas no Reino Unido.

Os participantes responderam a questionários sobre alimentação e consumo de bebidas alcoólicas e foram divididos em quatro grupos: pessoas que não bebiam ou consumiam álcool apenas ocasionalmente e aquelas com consumo baixo, moderado ou elevado.

A saúde dos voluntários foi acompanhada por mais de 13 anos, em média. Os pesquisadores então compararam o padrão de consumo com as mortes registradas ao longo desse período.

No estudo, o consumo considerado elevado correspondia a mais de 40 gramas de álcool puro por dia entre os homens e mais de 20 gramas entre as mulheres. Isso representa aproximadamente três doses padrão diárias para os homens e uma dose e meia para as mulheres, de acordo com os critérios usados pelos pesquisadores.

Beber muito aumentou o risco independentemente da bebida

O resultado mais consistente apareceu entre os maiores consumidores. Nesse grupo, não importava se a preferência era por vinho, cerveja, sidra ou destilados: o consumo elevado estava associado a maior mortalidade.

Em relação às pessoas que nunca ou raramente bebiam, os participantes com maior ingestão apresentaram:

24% mais risco de morte por qualquer causa;
36% mais risco de morte por câncer;
14% mais risco de morte por doenças cardiovasculares.

Como se trata de um estudo observacional, esses números representam associações estatísticas. Isso significa que a pesquisa não consegue afirmar que o álcool, isoladamente, foi responsável por todas essas diferenças.

Vinho, cerveja e destilados tiveram resultados diferentes

Nos níveis baixo e moderado de consumo, os pesquisadores encontraram uma diferença de acordo com o tipo de bebida.

Cerveja, sidra e destilados foram associados a maior mortalidade, enquanto o consumo baixo ou moderado de vinho apareceu relacionado a um risco menor em algumas análises.

Entre os consumidores moderados de vinho, por exemplo, houve associação com um risco 21% menor de morte por doença cardiovascular em comparação com pessoas que nunca ou raramente bebiam.

Já mesmo um consumo baixo de cerveja, sidra ou destilados foi associado a um risco 9% maior de morte cardiovascular.

Isso não significa que beber vinho proteja o coração.

Os próprios pesquisadores ressaltam que pessoas que tomam vinho podem apresentar características diferentes das que preferem outras bebidas. No estudo, esse grupo tendia a ter alimentação de melhor qualidade e hábitos de vida mais saudáveis, além de consumir álcool com maior frequência durante as refeições.

Embora os autores tenham feito ajustes para fatores socioeconômicos, hábitos de vida, histórico familiar e condições metabólicas, diferenças não identificadas podem continuar interferindo nos resultados.

Estudo tem limitações importantes

Outro ponto é que o consumo de álcool foi informado pelos próprios participantes no início da pesquisa. Mudanças nos hábitos ao longo dos mais de 13 anos de acompanhamento não foram necessariamente registradas.

Além disso, os participantes do UK Biobank tendem a ser mais saudáveis do que a população geral, o que pode limitar a aplicação dos resultados a outros grupos.

Os resultados apresentados no ACC.26, portanto, ajudam a entender a relação entre álcool e mortalidade, mas não devem ser interpretados como uma recomendação para começar a consumir determinada bebida.

Álcool também está associado ao câncer colorretal

Outros trabalhos recentes reforçam as preocupações sobre o consumo elevado.

Um estudo publicado em 2026 na revista científica Cancer analisou a relação entre o consumo de álcool ao longo da vida e o câncer colorretal. Os pesquisadores concluíram que uma ingestão elevada e persistente pode aumentar o risco da doença.

O trabalho também encontrou indícios de que abandonar o consumo de álcool pode estar relacionado a um menor risco de adenomas colorretais, lesões que podem anteceder alguns casos de câncer.

Então, quanto menos álcool, melhor?

O principal resultado do novo estudo é mais claro quando se observa o consumo elevado: quanto maior a ingestão de álcool, mais evidentes foram os riscos, independentemente do tipo de bebida.

Já os resultados relacionados ao vinho em quantidades menores precisam ser interpretados com cautela. Como a pesquisa é observacional, não é possível concluir que o vinho seja responsável pelo menor risco cardiovascular encontrado entre esses participantes.

Por isso, os dados não justificam começar a beber vinho em busca de benefícios para a saúde.

Para quem já consome álcool, reduzir a quantidade e evitar o consumo excessivo continuam sendo as conclusões mais consistentes diante das evidências disponíveis. E pessoas com determinadas doenças, que usam medicamentos incompatíveis com álcool, estão grávidas ou têm histórico de dependência podem precisar evitar completamente as bebidas alcoólicas.
 
 

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Notícias ao Minuto | 04:45 – 18/08/2026



Fonte: Notícias ao Minuto

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